Trabalhadores da Câmara Municipal do PortoTrabalhadores da LISNAVE (Setúbal)
(fotos: da CGTP)
Tertuliantes deste país: UNI-VOS! Vive Pacheco!

"Meus Deus, como é possível? - murmura Teresa, parada no pequeno terraço, com os olhos perdidos no tapume por detrás do qual o rapaz desapareceu. Depois volta a apreciar o mural, aproxima-se, observa atentamente os motivos que o rapaz indicara: É esta a CASA dele - diz, em voz murmurada - bem mo dizia o coração. Desce os quatro degraus que separa o terraço do passeio e inicia o caminho inverso ao que a trouxe ali. Caminha devagar, absorta, concentrada no desfile de memórias que lhe enche o pensamento repetindo-se: Meu Deus, como é possível?, mais de meio século e é como se nada tivesse mudado, os mesmos SONHOS, as mesmas CERTEZAS, tudo igual... a tudo, àquele dia, àqueles dias, como se o tempo estivesse parado, como se só eu tivesse mudado."

Saio para a rua e vou à cata dos dois pequenos libertinos ricos. Passeio pelas ruas de Braga, sigo ora uma ora outra, deito olhares de megatoneladas, fumo. O cinema ainda não acabou. Vigio de longe o jogo amoroso duma mocinha a palrar na rua com um maçanito, muito gesticulosa, muito espalha-brasas, e com o corpo todo pendurado para cima dele que com a mão esquerda na algibeira vai entretendo o caralho com as promessas que a vista lhe está a demonstrar. (...)Faço o meu primeiro engate de magala, na rua. Não me digam tragédias: é facílimo. É a coisa mais natural do mundo!
(...) -`tão, nada feito - diz a sua honra camponesa, e pela primeira vez noto como me apetecia aquele corpo, ser dono ou servo daquele aparato movediço de carne, pele, ossos, pêlos, força. E
também me parece que ele está pronto a ir atrás de uma promessa, duma mentira qualquer, e que a recusa pela venda comercial é onde ele esconde sua pronta adesão. Talvez o seu vício. Mas para comercial, comercial e meio.
(...) Descemos um carreiro em bico à direita da estrada. Escuridão. É o lugar ideal para mijar, cagar ou brochar discretamente. Calculo que ele está a provocar-me com o caralho fora das calças, quer festa, mas eu estou muito senhor de mim.
mais fiado? Volto a passear e aproveito para meter aqui o episódio da excursão vianense.
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Luís José Gomes Machado Guerreiro Pacheco, nasceu a 7 de Maio de 1925 em Lisboa. Escritor, editor, polemista, etc., certamente que foi tudo aquilo que queria ser, disse tudo o que tinha para dizer. E ainda diz, felizmente. A Taberna dá os parabéns a Luiz Pacheco com um pequeno filme que assinala o início de uma semana que lhe será dedicada. Parabéns Pacheco!
Fontes:
Entrevista de Miriam Assor / Correio Domingo 2007-04-08
Entrevista de Pedro Dias de Almeida / VISÃO nº 652 1 Set. 2005
Filme de António José de Almeida / Luiz Pacheco, Mais um Dia de Noite
Música de Astor Piazzola / Adios Nonino, do albúm com o mesmo nome

«Ao almoço bebia vinho – tinto, pois está claro. Quando se fala em vinho fala-se em tinto.»
Luiz Pacheco