sexta-feira, 13 de abril de 2007

19 de Abril, Sessão de lançamento "O Tempo das Giestas"

Foi no ano de 2002 que José Casanova fez a sua estreia literária, presenteando-nos com o romance “O Caminho das Aves”. Um romance que nos dá um retrato dos tempos do fascismo, uma visão da luta travada pela geração de 60 contra a violenta repressão fascista. Francisco com os seus camaradas e amigos fazem parte dessa luta resistente. Mas este “Caminho das Aves” – para quem não o leu, aconselho vivamente – traz-nos também os amores e desamores, deu-me a mais bela definição da amizade, que é “a amizade é a entrega em troca de nada, dispensa condições, não as suporta aliás”.

Como a caneta de quem escreveu um “O Caminho das Aves” não podia ficar parada, chegou-nos, em 2005, “Aquela Noite de Natal”. A história decorre na mesma época e com os mesmos personagens do antecedente. Nas palavras de um amigo “este livro é um hino ao amor”. Concordo plenamente, os leitores sentem um enorme sôfrego até chegar ao fim da história para assistir ao que o narrador nos escondia, um ternurento momento.

E porque não há duas sem três, e tudo isto na sequência do meu post anterior, chega-nos a terceira obra deste autor, “O Tempo das Giestas”. Que promete ser tão empolgante e viciante quanto os antecedentes.
Desta forma a não perder a apresentação, esta semana, do novo romance, de José Casanova.

O Tempo das Giestas
Dia 19 de Abril – 18h30 – Casa do Alentejo (Rua das Portas de Santo Antão - Lisboa), com apresentação de Domingos Lobo.

O Tempo das Giestas

Chove, agora, uma chuva miudinha, embora contínua. O vento, depois do temporal que durante a noite assolou o Tejo, amainou e sopra fraco. As gaivotas serenaram, pairam sobre o rio, soltam os seus gritos de tempo de bonança, fazem voos picados como se fossem mergulhar e elevam-se, roçando as águas, amiúde com peixes presos nos bicos.
Simão espera-a junto à Torre, abrigado no seu guarda-chuva grande, acompanhando os movimentos das gaivotas, agora voltando-se, vendo-a, dirigindo-se-lhe em passo acelerado, quase a correr, a correr, no rosto um sorriso feliz. Pega-lhe nas mãos, segurando o guarda-chuva com o pescoço e o ombro: Ainda bem que vieste — murmura. Depois tira-lhe a sombrinha, devolve-lha fechada, ficam os dois sob o guarda-chuva, repete: Ainda bem que vieste.

Excerto retirado do livro "O Tempo das Giestas" de José Casanova

O Povo

O povo passeava as suas bandeiras rubras
E estive no meio deles, na pedra que tocavam,
Na jornada fragorosa
E nas altas canções de luta.
Vi como iam de conquista em conquista.
Só a sua resistência era caminho
E, isolados, eram como estilhaços
Duma estrela, sem boca e sem brilho.
Juntos, na unidade feita silêncio,
Eram o fogo, o canto indestrutível,
A lenta passagem do homem sobre a terra,
Feito profundidades e batalhas.
Eram a dignidade que combatia
O que fora espezinhado, e despertava,
Como um sistema, a ordem das vidas
Que batiam à porta e se sentavam
Com as suas bandeiras na sala central.

De Pablo Neruda, em Canto Geral

E porque é Abril, canta-se a Liberdade...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

O primeiro homem no espaço

Em 12 de Abril de 1961, aos 27 anos de idade, Yuri Gagarin, tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço, a bordo na nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa em órbita ao redor do planeta e proferiu a famosa frase “A Terra é azul”. (fonte Wikipédia)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Editorial

Em Março foram lutas mil, em Abril comemoram-se Liberdades mil, sempre com a convicção de que outro caminho é possível, que o fatalismo que rege a nossa sociedade terá, sem sombra de dúvida, um fim.


O passado mês foi pródigo em polémicas. O branqueamento do passado brutal, violento e repressivo do regime fascista perpetrado pelo ditador Oliveira Salazar, esteve no topo das controvérsias, através do programa da RTP. Mas só houve tanto alarido porque este foi descarado, ou seja, à vista de todos. Com tudo isto, questionamos desde o vigésimo quinto dia do ano de mil novecentos e setenta e quatro – todos de nós não éramos nascidos mas só de pensar no que foi e representa, enche-nos o corpo de alegria – não temos vindo a assistir ao surgimento de um fascismo em pezinhos de lã? Até o observador mais distraído tem consciência disso, vejamos pelas políticas adoptadas que mais não fazem do que um assalto às mais elementares conquistas sociais, laborais e culturais. Teremos necessidade de nos justificar mais? Não! Basta comparar a Constituição da República criada na altura, com a actual.

Sobre outro acontecimento, o malfadado cartaz de uns tais "Renovadores Nacionalistas" na rotunda do Marquês do Pombal, em Lisboa, não alonguemos muito, até porque, como o seu líder afirma, está a ter mediatismo demais, conclui-se com a única conclusão possível, e porque os gatos não são parvos, "Nacionalismo é Parvoíce".


Sendo a essência desta taberna a Resistência, e resistência, diga-se, significa luta, saudamos as lutas promovidas pelos trabalhadores afectos à CGTP-IN, nomeadamente a gigantesca luta dos trabalhadores de dia 2 de Março, e também, a grande manifestação de jovens do dia 28 de Março. É com confiança que olhamos para a magnífica luta dos jovens, pois, é com demonstrações deste género, que facilmente se afirma que a resistência está presente no seu seio, dando aos menos jovens a certeza de que SIM «transformar o sonho em vida» é possível!


Em nome deste colectivo de Taberneiros, agradeço a todos os clientes visitantes por termos ultrapassado a bonita marca de mil visitas. Como o ditado diz, Abril águas mil, perdoem-me o enquadramento do ditado para a Taberna da Resistência, visitantes mil, mas sem dúvida a mais importante, Abril Liberdades mil.

terça-feira, 10 de abril de 2007

"Há sempre Alguém que Resiste, Há sempre Alguém que Diz Não"

Graças à sugestão de um cliente nosso, vimos recordar, um homem dotado de uma grande voz, um músico da liberdade, um importante artista resistente da segunda metade do século XX, que cedo nos deixou.

Cito as palavras que me levaram a fazer esta homenagem “o Adriano, se fosse vivo, faria hoje (9 de Abril) 65 anos. Recordemo-lo, então – e às suas belíssimas canções de resistência e de amor; e à sua voz límpida e pura; e ao seu jeito fraterno e solidário; e à sua coerência revolucionária; e ao seu exemplo de camarada”.


quinta-feira, 29 de março de 2007

Juventude em luta


As avenidas e ruas de Lisboa encheram-se de jovens trabalhadores em protesto. Vindos de todo o país, responderam ao repto da Interjovem. A manifestação que começou no Rossio e terminou em frente da Assembleia da República pretendeu contestar a precariedade laboral e exigir a estabilidade no trabalho. Em frente ao Parlamento, Célia Lopes, da Interjovem, e Carvalho da Silva, da CGTP-IN, apelaram ao reforço da luta contra as políticas governamentais.

(fonte ORL do PCP)

terça-feira, 27 de março de 2007

Ode à Lua na montanha Emei

A Lua de Outono, em quarto crescente,
brilha sobre a montanha Emei,
sua claridade pálida cai
e corre com as águas do rio Ping.
Deixo Quingsi, esta noite,
rumo às Três Gargantas do Grande Rio,
passo diante de Yuzhou e penso em vós,
não fui capaz de vos dizer adeus.

Considerado há vários séculos um dos mais perfeitos de toda a poesia chinesa, eis um poema de “impossível” tradução.
Trata-se de uma despedida, Li Bai aos 26 anos pede desculpa a um amigo por não o haver visitado.
As referências geográficas e os topónimos (todos na província de Sichuan), que em chinês cadenciam rima e ritmo, desfiguram o poema, em qualquer outra língua.
A lua, do alto do céu, observa a Terra inteira e aproxima os amigos ou amantes distantes, basta que ambos, em lugares diferentes, olhem a Lua exactamente a uma mesma hora. Este poema, dada a inexistência de géneros masculino e feminino na língua chinesa, pode ser dedicado não a um amigo mas a uma mulher, transformando-se num poema de amor.

Poema de Li Bai
Tradução e Notas de António Graça de Abreu

quinta-feira, 22 de março de 2007

Palavra de Poesia

Receias a palavra da poesia?
Temes que irrompam dos versos lágrimas
acenos, um olhar, um gesto, sangue?
A praga, o ódio, o asco?
Receias o amor que ela te fala?
O sacrifício, a Hora?
Esta íntima claridade construída?
Temes as sombras,
a noite mais noite em nossos gritos?
Ou receias a esperança,
o sémen, o suor, a seiva trabalhosa?
O amanhã já hoje em nossos passos?
Afrontam-te as raízes?
Espantam-te estas flores?
Amedrontam-te os frutos
que se estão gerando neste ventre a custo?

Ouve irmão: os homens falam aos homens
e se dão as mãos.

De Carlos Aboim Inglez, em "Soma Pouca"

quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia Mundial da Poesia

Os taberneiros assinalam este dia, com uma lembrança àquele que foi um dos impulsionadores da fundação da Taberna da Resistência. Mário Cesariny de Vasconcellos. Foi no passado dia 26 de Novembro que o pai do surrealismo português faleceu e desta forma, sem palavras da nossa parte, mas com um poema do génio, o relembramos.

Voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny

domingo, 18 de março de 2007

Convite a beber ao luar...


Porque o céu ama o vinho,
a estrela do vinho existe no céu. 1
Porque a terra ama o vinho,
as nascentes do vinho existem na terra. 2
Se céu e terra amam o vinho,
amar o vinho é digno dos deuses.
O vinho transparente
espelha a alma pura do homem santo,
o vinho turvo,
o espírito agitado do homem sábio. 3
Se santos e sábios
são grandes bebedores,
porquê procurar os imortais?
Três taças de vinho
concedem a felicidade plena,
um jarro e o universo nos pertence.
Incomparáveis as virtudes do vinho,
mas como explicar isto ao homem sóbrio?

1. Li Bai refere-se às três estrelas jiu qi (Mestres do vinho). Correspondem às estrelas psi, xi e ómega da constelação do Leão.

2. Existe de facto uma povoação chamada Jiuquan (Nascente do vinho) na província de Gansu. Foi fundada no ano 104 pelo imperador Han Wudi e seu nome deriva de uma fonte donde, segundo a lenda, emanava água com gosto a vinho.

3. O mandarim Xu Mo, do século III, disse um dia, completamente embriagado: "Os bêbados chamam "santo" ao vinho puro (qing) e "sábio" ao vinho turvo (zhuo)".

Poema de Li Bai
Tradução e Notas de António Graça de Abreu

sábado, 17 de março de 2007

Pelo Fim da Ocupação


Concentração no Rossio dia 20 de Março pelas 17.30H