quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia Mundial da Poesia

Os taberneiros assinalam este dia, com uma lembrança àquele que foi um dos impulsionadores da fundação da Taberna da Resistência. Mário Cesariny de Vasconcellos. Foi no passado dia 26 de Novembro que o pai do surrealismo português faleceu e desta forma, sem palavras da nossa parte, mas com um poema do génio, o relembramos.

Voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny

domingo, 18 de março de 2007

Convite a beber ao luar...


Porque o céu ama o vinho,
a estrela do vinho existe no céu. 1
Porque a terra ama o vinho,
as nascentes do vinho existem na terra. 2
Se céu e terra amam o vinho,
amar o vinho é digno dos deuses.
O vinho transparente
espelha a alma pura do homem santo,
o vinho turvo,
o espírito agitado do homem sábio. 3
Se santos e sábios
são grandes bebedores,
porquê procurar os imortais?
Três taças de vinho
concedem a felicidade plena,
um jarro e o universo nos pertence.
Incomparáveis as virtudes do vinho,
mas como explicar isto ao homem sóbrio?

1. Li Bai refere-se às três estrelas jiu qi (Mestres do vinho). Correspondem às estrelas psi, xi e ómega da constelação do Leão.

2. Existe de facto uma povoação chamada Jiuquan (Nascente do vinho) na província de Gansu. Foi fundada no ano 104 pelo imperador Han Wudi e seu nome deriva de uma fonte donde, segundo a lenda, emanava água com gosto a vinho.

3. O mandarim Xu Mo, do século III, disse um dia, completamente embriagado: "Os bêbados chamam "santo" ao vinho puro (qing) e "sábio" ao vinho turvo (zhuo)".

Poema de Li Bai
Tradução e Notas de António Graça de Abreu

sábado, 17 de março de 2007

Pelo Fim da Ocupação


Concentração no Rossio dia 20 de Março pelas 17.30H

quarta-feira, 14 de março de 2007

O Valor do Dinheiro, Cuba: um exemplo

É de todos conhecida a situação que o povo cubano vive. Vítimas de um embargo liderado pela grande “besta capitalista”, e sem o apoio de grandes potências como o era a da ex-URSS, têm que racionar recursos muito importantes para conseguirem subsistir, como por exemplo, a alimentação. Apostam na produção agrícola (cana-de-açúcar, arroz, entre outros) e na indústria (tabaco, bebidas, entre outras), produtos que vão conseguindo escoar com muitas limitações e em troca de outros bens essenciais, daí a política de racionamento a que os cubanos estão sujeitos, há pouco, mas o que há é para todos. Investem na saúde e na educação, considerando-os um bem essencial. Formam-se médicos e a assistência é gratuita, Cuba tem médicos espalhados pelo Mundo e exporta vacinas para vários países. A instrução e a aprendizagem são parte fundamental da vida cubana, gratuita, porque se acredita que um povo instruído é sempre uma mais valia para o crescimento do país, desde prostitutas até intelectuais, ou mesmo crianças, conseguem discutir temas tão complexos como a política, a economia, a cultura. As crianças brincam na rua, jogam xadrez.
O ideal que guiou Fidel, as suas convicções da implantação de um estado socialista, gorou muitas das possibilidades de estabelecer relações externas que poderiam fazer Cuba crescer. O embargo é comercial, económico e financeiro e passou a ser Lei em 1992.
Independentemente das dificuldades económicas, o povo cubano tem valores humanos muito fortes e os que deles vivem defendem a revolução, nas palavras de uma criança “através do debate”, “com lápis e papel”. Porque esses, os valores, persistem, sempre no sentido de, por pouco que tenham, ainda chega para os demais.
Veja-se a história contada por um jornalista, André Martín, numa das suas estadias em Cuba (fonte sic). Em poucas palavras, precisou de uma cebola, pois tinha prometido a um amigo cubano, que lhe pediu uma aula de culinária, ensinar-lhe a cozinhar um prato italiano. André, e visto o amigo não ter a dita cebola, decidiu bater à porta de uma vizinha, que logo lhe deu a cebola que ele tanto precisava. Mais tarde, e através de um outro amigo cubano, soube que mediante o racionamento rigoroso a que o povo cubano está sujeito, apenas têm direito a uma cebola por mês e por família. A tal vizinha, tinha dado a cebola dela, sem dizer ou pedir nada…
E este é o verdadeiro valor do dinheiro!

À tua memória

Faz hoje 124 anos que, em Londres, Karl Marx morre.
Uma vida eternamente ligada à resistência, daí a imperatividade de evocarmos esta efeméride para lembrar e relembrar um dos mais importantes e brilhantes pensadores.
A história, nestes dois últimos séculos, ficou influenciada pelas obras que nos deixou. Obras com uma actualidade impressionante e fundamentais para aplicarmos uma das suas ideias na célebre Tese 11 sobre Feuerbach:
"Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes, a questão é transformá-lo".

terça-feira, 13 de março de 2007

segunda-feira, 12 de março de 2007



Este post é para todos os taberneiros. Obrigado pelo apoio. Hoje e sempre a união faz a força.

Minho

Esta semana vamos até ao Minho. A gastronomia desta região pode caracterizar-se de suculenta, abundante e variada.
A diversidade da paisagem natural e a infuência recebidas durante séculos, explicam a variedade das especialidades gastronómicas.
A doçaria é de longa tradição conventual e popular, muito original e de grande requinte.
Não posso esquecer de referir o vinho verde da região óptimo para acompanhar as iguarias.
Mas, para conhecer um povo nada melhor do que sentar-se à sua mesa bebendo e comendo, com ele e como ele.

Entrada: Caldo Verde

Descasque 600gr de batata, 1 cebola, 2 dentes de alho e leve tudo a cozer em 1,5lt de agua, sal e 1 fio de azeite.
Lave e corte em caldo verde muito fino 200gr de couve galega.
Depois de cozidas triture as batatas, o alho e a cebola.
Leve ao lume outra vez, junte o caldo verde e deixe cozer, retifique os temperos e junte mais 1 fio de azeite.
Corte o chouriço, coloque uma rodela em cada prato e regue com o caldo verde. Corte as fatias de brôa ao meio e distribua pelas pessoas.

Prato principal: Tiborna

Leve 1kg de batatas a cozer em água abundante com sal durante 30 min.
Depois de demolhadas seque bem 4 postas de bacalhau e grelhe-as.
Coloque também 4 fatias de pão na brasa e deixe torrar.
Depois de cozidas descasque as batatas, corte-as às rodelas e disponha numa travessa. Por cima, o bacalhau desfiado e o pão. Regue tudo com azeite, vinagre e salsa picada. Para acompanhar, vinho verde da zona do Minho, pois claro.

Sobremesa: Torta de cenoura

Cozer 1kg de cenouras descascadas durante 20 min. Bater 4 claras em castelo, bater 4 gemas com 175gr de açucar, juntar as claras e a farinha.
Depois de cozidas passe a cenoura por um passador e deixe escorrer, junte ao preparado. Coloque tudo num tabuleiro quadrado forrado com papel vegetal, vai ao forno a 180ºc duante 20 min. Retira-se e coloca-se noutra folha polvilhada com açúcar, deita-se canela, enrola-se e está pronta.

quinta-feira, 8 de março de 2007

« Catarina Eufémia »

« O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorares os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro

Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua»

Sophia de Mello Breyner Andresen

O 8 de março de 1857

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, conta-se que, ao serem reprimidas pela polícia, as trabalhadoras refugiaram-se dentro da fábrica.
Naquele momento, de forma brutal e vil, os patrões e a polícia trancaram as portas e atearam fogo, as 129 mulheres em luta, morreram carbonizadas.
A razão da luta era a reivindicação da redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Porque querem acabar com o IAJ?

Para quem não sabe o IAJ é o Incentivo ao Arrendamento Jovem promovido pelo Instituto Nacional de Habitação (INH). É um programa que tem como objectivo “revitalizar o mercado de oferta de habitação” e que “pretende que o arrendamento seja uma verdadeira alternativa à satisfação das necessidades de habitação dos jovens que iniciam uma nova fase das suas vidas”.
Recordo-me que em Agosto do ano passado foi anunciado o fim deste apoio. Decidi ligar para os serviços, ao que me responderam “isso é especulação, não faz sentido acabar com este subsídio”.
Este fim anunciado voltou à carga no início deste ano.
É sobejamente conhecida a grande precariedade dos vínculos de trabalho a que as pessoas estão sujeitas, o elevado valor das rendas e as diversas exigências feitas a quem recorre ao crédito habitação. A realidade mostra as dificuldades que os jovens têm para alcançar a sua autonomia e independência, quando uma das condições para a emancipação dos jovens é a capacidade de estabelecer uma residência autónoma.
Porque é que todas as garantias de apoio social são atacadas? Porque querem acabar com o Incentivo ao Arrendamento Jovem? Ao fruto de uma lógica capitalista penso que sei a resposta, não dá lucro…

terça-feira, 6 de março de 2007

86 anos de luta e resistência

Parabéns a você
nesta data querida
muitas felicidades
muitos anos de luta
Hoje é dia de festa
cantam os taberneiros
para o Partido
uma salva de palmas.