quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

«Que hei-de dizer-lhes acerca da Música, que os interesse e que esteja ao meu alcance?»

Título: palavras de Fernando Lopes-Graça (maestro, músico e compositor, 1906-1994)

Confesso que houve uma tentativa da minha parte para definir MÚSICA. Abandonei essa ideia, porque não é necessário decifrar algo que é sobejamente UNIVERSAL e TRANSVERSAL, que toca os sentimentos mais profundos da essência humana.
As músicas marcam-nos, muitas acompanham-nos ao longo da vida enquanto outras num determinado espaço de tempo, outras relembram-nos momentos, outras são de intervenção (e que papel essas têm), outras nascem da poesia, etc., etc.…
A música faz parte do nosso dia-a-dia. Desde o acordar ao deitar a música passa pelos nossos ouvidos: é no despertador; é no rádio enquanto tomamos banho; nos transportes públicos quando nos deslocamos; no local de trabalho; no restaurante enquanto almoçamos; no nosso carro, ao fim do dia, quando nos deslocamos para o bar onde convivemos com os amigos. Agora e sempre a música estará presente.

Daí a imperatividade de incluirmos neste espaço, que se pretende de divulgação política e cultural, com objectivo de divulgação plural, a música. Porque, sem dúvida, a música acompanhar-nos-á na caminhada pela Libertação.

Em nome deste colectivo de taberneiros, declaro aberto o Balcão da Música na Taberna dos Tertuliantes deste país!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Casca de batata com iogurte

Semanalmente, vamos apresentar receitas e sugestões gastronómicas. Vamos dar a volta ao mundo dos sobores e paladares. Nesta coluna iremos do tradicional ao mais irreverente que possa haver na gastrononia mundial.

Entrada:
Casca de batata com iogurte.

Muito simples, aproveitam-se as cascas da batata que vamos usar no prato principal.
Lavam-se muito bem e fritam-se em óleo.
Para o molho:
Pica-se um dente de alho e junta-se a partes iguais de maionese e iogurte natural. Bate-se energicamente até ficar bem cremoso.
Pode-se também juntar umas gotas de limao e salsa picada.

Para a semana vamos apresentar menus completos.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Editorial

No tempo de crise e de aceleração em que vivemos, uma evidência se impõe: Nada será como dantes!
Vejamos os processos de transformação, os argumentos impostos e as ofensivas que em nome de uma "Democracia" que pretendem instaurar a outros, os quais, impotentes, assistem à sua própria destruição.
A violação do Direito Internacional, o desprezo pelas organizações internacionais e o "jogo" mortal dos mercados mundiais. A evidente e clara emergência dum poder imperial à escala mundial, protagonizada pelos Estados Unidos da América e seus aliados, com isso levando a um crescente factor de desigualdade dos povos.
O futuro não está escrito...
A Taberna da Resistência como espaço de divulgação política e cultural, tem como objectivo uma divulgação plural.
Pretende-se com este projecto uma abertura à discussão sem fronteiras dos mais variados temas tendo em vista a libertação do Homem.
A participação é importante no tempo de Resistência que vivemos, sem esquecer que até na Taberna podemos realizar mais uma etapa na grande caminhada pela Libertação.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Poema de Cesariny

Era hua vez dez meninas
de hua aldeia muito probe.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão nove.
Era hua vez nove meninas
que só comeam biscoito.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão oito.
Era hua vez oito meninas
em terras de dom Esparguete.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão sete.
Era hua vez sete meninas
lindas como outras não veis.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão seis.
Era hua vez seis meninas
em landas de Charles Quinto.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão cinco.
Era hua vez cinco meninas
em um triângulo equilatro.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão quatro.
Era hua vez quatro meninas
qu'avondavam só ao mês.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão três.
Era hua vez três meninas
em o paço de dom Fuas.
Deu o trangolomanglo nelas
não ficaram senão duas.
Era hua vez duas meninas
ante um home todo espuma.
Deu o trangolomanglo nelas
transformaram-se em só uma.
Era hua vez uma menina
terrada em coval mui fundo.
Deu o trangolomanglo nela
voltaram as dez ao mundo.

Mário Cesariny

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Quadros de Paula Rego

«Fiz estes trabalhos para Portugal, revoltada com o que se passou no referendo sobre o aborto», diz a pintora, que têm ainda nas suas memórias vividas do país as situações dramáticas que testemunhava na Ericeira quando as mulheres dos pescadores, rodeadas de filhos, lhe pediam o dinheiro necessário para os desmanchos.
São retratos de sofrimento e angústia, de ansiedade, desolação, medo, humilhação e vergonha, feitos de uma violência contida, sem sangue nem gritos, com uma construção figurativa formalmente austera.